sábado, 8 de novembro de 2014

Oração da Felicidade... Papa Francisco


Não chore pelo que você perdeu,
lute pelo que você tem.
Não chore pelo que está morto,
lute por aquilo que nasceu em você.
Não chore por quem te abandonou,
lute por quem está a seu lado.
Não chore por quem te odeia,
lute por quem te quer feliz.
Não chore pelo teu passado,
lute pelo teu presente.
Não chore pelo teu sofrimento,
lute pela tua felicidade.
Não é fácil ser feliz,
temos que abrir mão de várias coisas,
fazer escolhas e ter coragem de assumir
ônus e bônus para ser feliz.
Com o tempo vamos aprendendo
que nada é impossível de solucionar,
apenas siga adiante com quem quer
e luta para estar com você.
Se engana quem acha que a riqueza e o status atraem a inveja...
as pessoas invejam mesmo é o sorriso fácil,
a luz própria,
a felicidade simples e sincera
e a paz interior...
Papa Francisco -11/04/2014

sábado, 27 de setembro de 2014

Cultive o encanto




A vida é única e em todos os instantes temos a oportunidade de enxergar e descobrir coisas novas, aromas, sabores, cores, pessoas apaixonantes. E esta descoberta, que nos incita e nos inspira, trazendo aventura para a alma e silenciando os dramas que criamos inutilmente, pode ser chamada de encanto. O encanto não é coisa de contos de fadas. Ele existe, embora muitos tenham se esquecido dele ou ignorado que o encantamento está em todo o lugar e que cada pessoa tem uma dose toda peculiar, que pode agir com propriedades tão magnéticas que fica difícil manter distância. Quando isto acontece, o encanto assume a função divinal, transcendental, algo que deveria ser bastante comum a todos nós.

Mas, como temos tratado o encanto das pessoas e de todas as coisas? Será que o perdemos e o rechaçamos o tempo todo ou será que ele é vívido, como as cores que nos colorem quando o amor nos aconchega sendo tudo o que temos?

Se o encanto é um vaso bonito, há quem o quebre, derrubando-o com displicência, sem pensar em qualquer consequência. E o encanto se espatifa no chão, quebrando-se em mil pedaços. Mas ainda tem gente que faz pior: chuta o encanto para longe e ele cai com força, quebrando-se tão fortemente que os cacos também machucam quem estiver perto: eles tomam forma, voam longe. O vaso estilhaçado do encanto vira arma, ferindo quem não tem nada a ver com a falta de encanto ou quem estava do lado só para ajudar a colar os pedacinhos.

Talvez seja do encanto estilhaçado com uma violência rotineira que tanta gente nos machuque, com palavras ou atitudes. Que tanta gente perca o sorriso que encanta e ganhe o olhar vazio do desencanto, trocando a solicitude pelo sarcasmo de trazer sofrimento a si e aos outros. E a vida vira um fardo cheio de desencanto, de choro, de lamentação, de azedume, de cacos ferindo na carne, sangrando a pureza de coração e a nobreza de espírito.

Se você é quem quebra o encanto comece a reconstruí-lo, sem pensar no passado, mas com a delicadeza e dedicação para o momento presente. Use a cola da compaixão e a massa do amor. E tudo vai se encantar de novo, melhor do que antes.

Se você é quem se machuca com o desencanto, cure suas feridas com o bálsamo do perdão e faça uso da pomada da oração. Encante-se de novo por tudo e por todos. Às vezes quebramos tanta coisa, nos machucamos, trazemos cicatrizes… mas ainda podemos ser muito bons em restaurar, sobretudo, os nossos sentimentos.

Cultive o seu encanto, fazendo brotar no seu vaso as flores coloridas do bem, do amor. E com estas pétalas e folhas acaricie a si próprio e o mundo! Namastê!


M. Kikuti




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Tempo Certo


Ele era um menino, com  cerca de oito anos de idade, que vivia numa comunidade agrícola,  no pequeno sítio da sua família.  A ele foram atribuídas algumas tarefas, como, por exemplo, alimentar as galinhas que eles criavam.  Além disso, tinha que frequentar e cumprir os deveres da escola, e cuidar do irmão menor, enquanto a mãe estava na lavoura.
O tempo ia passando: os dias, as  noites; as estações do ano; o tempo chuvoso, o tempo de seca; plantação, colheita; ... Cada momento trazia consigo o seu significado, exigência, ações, e consequências.
Terminado o Ensino Médio, conseguiu ser admitido numa faculdade. Infelizmente, ficava numa outra cidade. Após seus pais concordarem em mantê-lo por uns tempos na nova cidade, foi para lá, entrou e se adaptou na nova rotina.
Basicamente, lá, o processo se repetia, muito parecido com o de quando estava em casa: observar e entender o momento, cumprir o que era necessário, e ter direito ao resultado (exigências, ações e consequências).
No tempo certo, tendo cumprido tudo que lhe era exigido, se formou. Antes disso já estava trabalhando como Trainee num escritório de engenharia – sua área, e já não necessitava mais da ajuda dos pais, exceto eventualmente. Em pouco tempo, pela sua atuação dedicada e capacidade, foi efetivado e, na sequência vieram as promoções, com consequente aumento de responsabilidades e salário.
A partir dai, começou a ajudar sua família, contribuindo para a formação dos irmãos mais novos. Mais tarde, casou-se, comprou sua casa e teve dois filhos.
Atravessou aquela fase de formação e educação dos filhos, os quais por sua vez, também foram cumprindo seus ciclos: estudar, trabalhar, casar...
Hoje, bem aposentado, fruto da sua carreira bem sucedida e de um planejamento financeiro adequado, pode viver tranquilo, acompanhar e colaborar para cumprimento dos ciclos de seus netos.
Às vezes, olha para o que conseguiu realizar, tanto pessoal  como socialmente, e lhe ocorre que, mesmo estando muito bem,  poderia ter feito ainda mais. Entretanto, considerando de onde veio , as eventualidades negativas, o tempo disponível, as suas limitações e dons naturais, conclui que o que fez está de bom tamanho.
Tem consciência de que cada pessoa, além de ter o seu tempo certo, tem um papel, um missão a cumprir, fechando alguns ciclos e iniciando outros, para que todo processo previsto ocorra, naturalmente. Dentro desse contexto, tendo vivido como viveu, construído o que construiu, de um modo geral, independentemente de suas limitações físicas atuais, sente-se realizado, feliz.   
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Viver no tempo certo é viver em equilíbrio com a natureza. Os eventos vão ocorrendo naturalmente, um depois do outro, sem estresse. Os alicerces, as paredes da construção da vida, vão tomando corpo e, ao final, pode-se olhar para trás, com um misto de surpresa e, normalmente, de satisfação, ver o resultado da obra, da sua influência sobre si próprio,  sobre outras pessoas, sobre o meio ambiente, sua  cidade, seu país, o mundo - dependendo do  grau de influência alcançado.
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"Tempo presente e tempo passado / Estão ambos presentes no tempo futuro / E o tempo futuro, contido no tempo passado."  (T.S. Eliot)
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(JA, Set14)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Giraff, o robô e assistente pessoal da terceira idade


Sistema que utiliza robô e sensores acompanha todas as atividades do utilizador e consegue fazer a recolha de dados médicos.
Lea na sua sala com o Mr. Robin   GIRAFFPLUS/COMISSÃO EUROPEIA

É italiana, tem 94 anos, e recusou-se a trocar a sua casa em Roma por um lar. Demasiado ocupada a escrever livros, a alimentar um blogue e a realizar tarefas domésticas, Lea Mina Ralli não é muito diferente de outros idosos. Os filhos moram longe, tem necessidades sociais e médicas, mas insiste na sua independência. E conseguiu o que queria e o responsável é Mr. Robin, como carinhosamente trata o robô que passa 24 horas consigo desde Dezembro. A avó Lea, como gosta de ser chamada, é uma das seis pessoas que têm este tipo de assistência, ainda numa fase de testes.
Em Dezembro do ano passado, Lea escreveu pela primeira vez no seu blogue sobre Mr. Robin, um dos exemplares do projeto GiraffPlus, destinado à terceira idade, e liderado por investigadores da Universidade de Örebro, na Suécia. O projeto é financiado pela Comissão Europeia e já recebeu 3 milhões de euros em apoios. Conta ainda com o apoio de grupos de investigadores de vários países, empresas e serviços nacionais de saúde.
Entusiasmada com a nova presença, que Lea diz parecer-se com “um novo modelo da árvore de Natal”, a italiana passou a ter uma espécie de assistente pessoal que reage através da informação que recebe de sensores espalhados pela casa da idosa e têm um monitor que promove a interação social com a utilizadora. Através dos sensores, o robô Giraff detecta todo o tipo de atividades de Lea, como cozinhar, dormir ou ver televisão, e monitoriza a sua saúde, através da leitura da pressão sanguínea, dos níveis de açúcar ou de oxigênio no sangue. Os dados recolhidos ficam disponíveis através de um software que pode ser acedido através de um interface no computador pessoal do utilizador. O aparelho permite ainda que a família e amigos acompanhem Lea e falem com ela através de um sistema semelhante ao Skype e lançar alertas em caso de acidente ou saúde.
“As pessoas perguntam-me porque não vou viver com a minha filha. Mas ela tem netos e muitas responsabilidades. Com este valioso assistente, a que chamo Mr. Robin, estou mais descansada nos próximos anos e os meus filhos e netos também”, conta Lea.
A italiana é uma das duas pessoas em Itália a ter este sistema e um das seis no mundo. Dois outros idosos têm o robô em Espanha e dois Giraff estão em funcionamento na Suécia.
O robô ainda não está a ser comercializado, o que só deverá acontecer no próximo ano. Para já, e até ao final de 2014, a GiraffPlus prevê ter um total de 15 robôs a funcionar nos três países. “Estamos neste momento a meio das avaliações mas confirmamos que vários aspectos do sistema são apreciados de forma diferente pelos utilizadores. Isso mostra que apenas uma abordagem à tecnologia não é necessariamente o melhor e que a tecnologia deve ser adaptável e customizada ao que os utilizadores precisam”, afirmou a coordenadora do projeto na Universidade de Örebro, Amy Loutfi, em comunicado.
A Comissão Europeia apoia novas tecnologias que permitam à terceira idade "viver de forma independente". Num comunicado divulgado esta terça-feira, a vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pela Digital Agenda, Neelie Kroes, voltou a defender esta posição”. Todos queremos saber que não iremos perder a nossa dignidade, respeito e independência quando envelhecermos. A União Europeia está a investir em novas tecnologias que possam apoiar a 'geração prata', adicionando não apenas anos à nossa vida mas também vida aos nossos anos”.
Estima-se que o mercado europeu para robôs e outros aparelhos semelhantes destinados a prestar assistência a idosos atinja os 13 mil milhões de euros em 2016.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Falta produto adequado à 3ª idade, diz consumidor


Pesquisa mostra que 45% dos acima de 60 anos não acham o que procuram
Roupas, calçados, celulares, produtos de beleza e opções de entretenimento estão entre os mais citados

A cada cem consumidores da terceira idade (acima de 60 anos), 45 têm dificuldade para encontrar produtos e serviços adequados a sua faixa etária.
Na hora de comprar roupas, consideram que as lojas ainda oferecem opções para os jovens demais ou para os "velhinhos" demais. No momento de comprar um celular, sentem falta de aparelhos com letras e teclados maiores que facilitem a visão.
Quando buscam locais de entretenimento, dizem não encontrar restaurantes, bares nem casas noturnas com programação voltada para o público de sua idade.
Os dados constam de um mapeamento do consumo nessa faixa etária feito pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil e pelo portal de educação financeira "Meu Bolso Feliz", em 27 capitais.
No Brasil, são 24 milhões de consumidores com mais de 60 anos, um contingente que representa 13% da população adulta, segundo dados do IBGE de 2013.
Por ano, eles movimentam R$ 402 bilhões, somados aposentadorias, pensões e rendimento do trabalho com ou sem carteira assinada, de acordo com o instituto Data Popular.
"Eles estão mais exigentes, dispostos a pagar mais caro por itens de melhor qualidade e sentem a carência de produtos e serviços. A maior parte [64%] decide sozinha o que comprar e se considera estável financeiramente", diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, ao ressaltar que existe um contingente que corresponde a três vezes à população do Uruguai que não recebe a atenção que deveria do varejo, da indústria e do setor de serviços.
Entre os consumidores que enfrentam mais dificuldade na hora de comprar itens para sua idade, estão as mulheres e os que estão acima da faixa de 70 anos.
Fernando Pimentel, superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), diz que já existe no setor uma preocupação com esse público e que a oferta de itens tende a aumentar.
"As empresas começam a se segmentar em vez de olhar o consumidor como um grande mercadão. É um nicho que vai ganha uma dinâmica mais acelerada à medida que a população envelhece."
Para Maurício Morgado, professor da FGV, uma das maiores carências ainda está no atendimento. "As lojas são barulhentas, iluminadas demais ou escuras demais. Faltam nas embalagens letras maiores que simplifiquem o entendimento."
Fábio Mariano Borges, professor de comportamento do consumidor da ESPM, concorda. "O setor de serviços é exemplo da falta de cuidado com esse público", diz, ao citar atendentes de TV a cabo que frequentemente pedem ao cliente para verificar se o aparelho está conectado à tomada. "Ele só esquece que esse consumidor muitas vezes não tem condições físicas para abaixar e verificar."


(JA, Set14)





quarta-feira, 27 de agosto de 2014

5 hábitos da meia-idade que você não pode mais se dar ao luxo de adiar


CRISE DA MEIA IDADE
wikimedia.commons


Entre seu chefe exigente, as despesas que seus filhos lhe dão, seus pais que sempre querem atenção e sua mulher ou seu marido amada(o) (na maior parte do tempo), não surpreende que você acabe esquecendo de você mesmo na meia-idade, como acontece com a maioria de nós. Seus sonhos, seus hobbies e até mesmo sua higiene pessoal acabam caindo para algum lugar lá embaixo em sua lista sempre crescente de prioridades.
A gente entende que você esteja ocupado, mas há alguns hábitos que simplesmente são importantes demais para que possam ser adiados por mais tempo.
1. Cuidar dos dedos dos pés.
pedicure
Isso não se aplica apenas ao verão, a temporada de usar sandálias. E, caras, não estamos falando apenas com as mulheres. Ninguém quer ver suas unhas do pé sem cortar nem seus calcanhares rachados. Mas a dificuldade em dobrar-se para alcançar os dedos do pé, ou até mesmo de enxergá-los (isso é constrangedor...) à medida que envelhecemos faz com que esses heróis esquecidos raramente recebam a atenção cuidadosa que merecem, apesar de nos carregarem por milhares de passos todos os dias.
Ir ao pedicure é bom por muito mais razões que apenas ter unhas bonitinhas. A exfoliação ajuda a remover as camadas de pele mortas, resultando em pés mais lisos, macios, com aparência mais jovem. Nossa parte favorita é a massagem, que é a maneira perfeita de desestressar e literalmente pôr os pés para cima (sem falar que aquelas cadeiras de massagem também são legais). O bônus adicional é que fazer o pé pode ajudar a prevenir um dos indícios mais óbvios do envelhecimento: as varizes. Com a idade, as veias perdem a resiliência, ficam esticadas e enfraquecidas, manifestando-se como aquelas veias inchadas e feias em nossas coxas, panturrilhas e até nos pés. Elevar as pernas e fazer o sangue circular um pouco melhor pode ajudar a prevenir varizes ou pelo menos ajudar a desacelerar seu surgimento.
2. Usar o fio dental com afinco. 
floss
Você escova os dentes duas vezes por dia e até faz gargarejo com um produto de higiene bucal, mas seu fio dental fica esquecido, acumulando pó, no fundo do armário do banheiro. Talvez você pense que passar fio dental é opcional, mas alguns dentistas dizem que é essencial. “Se você estivesse preso numa ilha deserta e um barco só pudesse lhe trazer uma coisa, você iria querer que lhe trouxesse fio dental”, disse ao WebMD o dentista Samuel B. Low, ex-presidente da Academia Americana de Periodontia.
Além de remover irritantes partículas de alimentos de seus dentes, o uso do fio dental traz muitos outros benefícios. Pode ajudá-lo a conservar seus dentes por mais tempo, a prevenir a gengivite, ajuda a prevenir a boca seca e as cáries. Especula-se que o uso do fio dental pode até ajudar a prevenir doenças cardíacas. Relatos já comprovaram que as pessoas com algum tipo de doença periodontal têm duas vezes mais chances de ter doenças do coração.
3. Fazer do protetor solar seu novo melhor amigo.
sunscreen
Você pode ter se acostumado a conviver com temperaturas abaixo de zero e a usar seu casacão de inverno na primavera, mas agora o verão chegou, e isso significa sol, areia e rugas. É isso mesmo: de acordo com um estudo de referência de 2013, até 80% das rugas, pés de galinha e manchas de idade se devem à exposição aos raios UV.
Se você passou a juventude usando bronzeador na praia ou deitado em câmaras de bronzeamento, é bem possível que esteja sentindo os efeitos agora. Os raios UV são responsáveis pelo rompimento da elastina de nossa pele –as fibras que dão resiliência e elasticidade à pele. É isso que faz surgir as rugas, as linhas finas e leva a pele a perder a firmeza.
Portanto, na próxima vez em que sair de casa, não deixe de primeiro proteger-se do envelhecimento e dos cânceres de pele.
Um estudo comprovou que basta usar um protetor solar de fator 15 para reduzir o envelhecimento em um quarto, comparado a não usar protetor solar. Se os protetores solares espessos, gordurosos e de cheiro forte não o agradam, saiba que hoje existem muitos hidratantes faciais e loções corporais com níveis diversos de proteção solar.
4. Apertar o cinto. De verdade. 
seatbelt
Todos nós já vimos os anúncios de serviço público sobre não enviar SMS na direção de um veículo, algo que é um problema sério. Mas milhões de nós não fechamos o cinto de segurança a não ser que vejamos uma viatura policial se aproximando. De acordo com os Centros de Controle de Doenças dos EUA, mais de 2 milhões de adultos por ano vão parar no hospital devido a acidentes de carro. O cinto de segurança possui o poder de reduzir em até 50% a incidência de mortes e ferimentos provocados por acidentes de carro. É uma porcentagem enorme.
Além disso, agora que muitos de nós temos filhos adolescentes andando de carro sozinhos, não seria bom dar um exemplo correto a eles? Você quer que seus filhos usem o cinto de segurança, não quer?
5. Tome o café da manhã. Todo dia.
oatmeal
Não, um latte macchiato grande (e um punhado de M&Ms que você pegou na recepção da empresa) não vale como “café da manhã”. Você pode ter se virado bem com uma dieta muito menos balanceada quando era mais jovem, mas não existe melhor hora que agora para tratar bem seu corpo e reduzir um pouco essa cinturinha.
O simples fato de reservar dez minutos a mais por dia para consumir um iogurte com granola ou um pouco de aveia com frutas pode render muitos benefícios que se prolongam pelo dia inteiro, e mais um pouco. As pessoas que fazem um bom desjejum tendem a ter concentração melhor, colesterol mais baixo e até pesar menos. Já sabemos que nosso metabolismo não é mais o que era –mas não se iluda, pensando que deixar de tomar o café da manhã lhe permitirá poupar calorias que você poderá consumir mais tarde. Os médicos dizem que pular o café da manhã pode na realidade fazer você comer demais mais tarde e beliscar ao longo do dia, algo que, com o passar do tempo, leva ao acúmulo de quilos. O café da manhã desperta seu metabolismo, que passou várias horas jejuando depois do jantar e enquanto você dormia, e com isso você terá mais energia e mais benefícios de queima de gordura ao longo do dia. Na verdade, um estudo da organização National Weight Control Registry indicou que quase 80% das pessoas que perderam peso e mantiveram a perda disseram que faziam um bom café da manhã diariamente.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Livro sobre a Doença de Alzheimer

"Você não está sozinho... nós continuamos com você"
O livro reúne artigos de profissionais  das diversas áreas relacionadas à Doença de Alzheimer. Foi escrito em linguagem clara e objetiva, acessível tanto a profissionais de Saúde como aos familiares dos doentes.

O propósito dos autores é instrumentalizar os familiares e cuidadores para que possam estabelecer um bom contato e investir em um relacionamento de qualidade com os pacientes.

Livro sobre a Doença de Alzheimer, lançado em abril de 2013 pela ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer

O livro foi organizado por Vera Caovilla, Administradora Hospitalar e uma das fundadoras da ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer, e por Paulo Canineu, Geriatra e membro da Comissão Científica da ABRAz. Eles reuniram na obra a experiência e o conhecimento sobre a doença, acumulados durante anos de atuação na ABRAz.
“Você não está sozinho... nós continuamos com você”, em sua terceira edição, revisada e atualizada, representa uma das ações que a ABRAz desenvolve para informar e orientar os familiares-cuidadores de uma maneira técnica, humana e consistente sobre o manejo com o paciente.
O livro aborda os principais conceitos sobre a Doença de Alzheimer; doenças similares e perspectivas futuras; cuidados com o paciente relacionados à cognição; atividade física e intelectual e atividades prazerosas como a música e a arte. A obra trata também dos aspectos pertinentes às orientações legais – uma questão difícil a ser assumida diante da doença, e traz um capítulo destinado a preparar os familiares para lidar com o desfecho da doença e a perda do parente.
Os Grupos de Apoio que a ABRAz oferece aos familiares-cuidadores têm destaque num capítulo específico do livro em que são apresentados em todas as suas possibilidades de informação e de suporte para os que lidam com o Alzheimer.
"Um dos mais importantes objetivos deste livro é esclarecer o leitor, de forma correta, como lidar com a Doença de Alzheimer, orientá-lo na distinção entre o envelhecimento saudável e o envelhecimento patológico e informá-lo de que profissionais de saúde de várias especialidades estão envolvidos com o tratamento da doença. O nosso livro, desde a sua primeira edição em 2002, tem sido importante fonte de pesquisa para profissionais da área de saúde nos seus estudos acadêmicos", diz Vera Caovilla.
Na data do lançamento do livro, antes da sessão de autógrafos, haverá breve palestra com os dois organizadores no Auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Vera Caovilla falará sobre "ABRAz no apoio ao familiar-cuidador" e Paulo Canineu abordará o tema "Doença de Alzheimer hoje".

Vera Pedrosa Caovilla – Graduada em Administração Hospitalar (IPH), pós-graduada em Marketing (FECAP), com mestrado em Serviços de Saúde (Faculdade de Ciências da Saúde São Camilo), especialização em Gerontologia Social (FMUSP). Membro-fundadora da ABRAz, exerceu os cargos de tesoureira (1991-1995), presidente da Regional São Paulo (1991-1995 e 2009-2012), presidente da ABRAz Nacional (1995-2002), representante das Associações de Alzheimer da América Latina junto a ADI - Alzheimer’s Disease International (1998-2000), conselheira suplente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (2012-2014) e tesoureira da ABRAz Nacional (2011-2014).
Paulo Canineu – Graduado em Medicina, especializado em Geriatria e Gerontologia (AMB/SBGG), especializado em Cardiologia (AMB/SBC), mestre em Ciências Biológicas (PUCSP), doutorado em Educação/Gerontologia (UNICAMP), professor titular do curso de Pós-graduação em Gerontologia (PUCSP e CUSC) e vice-presidente da SBGG Nacional. Com atuação intensa na ABRAz Nacional, exerceu os cargos de membro da Comissão Científica (1995-1999), diretor de publicação (1999-2002) e vice-presidente (2002-2008).

O lançamento do livro “Você não está sozinho... nós continuamos com você”, promovido pela ABRAz, teve o patrocínio cultural da PREVENT SENIOR e o apoio cultural da Livraria Martins Fontes Paulista.

Livro: “Você não está sozinho... nós estamos com você”.
Organizadores: Vera Caovilla e Paulo Canineu.
Capa: Cynthia Vasconcelos
Foto: Bob Wolfenson.
Editora: Novo Século.
Lançamento: Abril de 2013.
Horário: Das 15h30 às 18h30.
Estrutura: 16 cm x 23 cm, 304 páginas.
Preço: R$ 40,00.
ISBN: 978.85.7679.905.4.
Venda: Pelo e-mail abraz@abraz.org.br 

ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer
Fone fax: (11) 3237-0385 / 0800-551906
E-mail: abraz@abraz.org.br  
Site ABRAz Nacional: www.abraz.org.br 

FONTE: abraz.org.br/

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Beba água corretamente

Água é essencial para a vida. Todos sabemos. Mas como tudo, também deve ser consumida na quantidade certa, pois em excesso pode fazer mal.






O sangue é formado por várias substâncias, dentre elas a água. Se tomarmos água em excesso, o sangue fica “diluído”, isto é, fica mais “aguado”. Resultado: o rim vai ter que trabalhar para excretar a água em exagero. Só que isso pode demorar um pouco para acontecer e se quantidade de água ingerida exceder a capacidade do rim de eliminar, podemos ter um tipo de “intoxicação” pela água.

O excesso de água vai parar dentro das células, que ficam inchadas de água e não funcionam bem. Principalmente os neurônios, que são especialmente sensíveis. A consequência são os sintomas que acontecem: enjoo, vômitos, fraqueza, mal estar, confusão mental entre outros. Na vida, o bom senso e a moderação são essenciais. Tome água sempre. Mas ouça seu organismo: tome água quando tiver sede.


fonte:
www.danonenutricao.com.br

sábado, 21 de junho de 2014

O homem que virou Maiakovski


O niteroiense Eduardo Alves da Costa é autor de um dos poemas mais famosos da literatura brasileira – mas que, por infelicidade, é muitas vezes atribuído a autores tão diversos quanto Maiakovski, Borges, Jung e García Márquez. “No Caminho, com Maiakovski” já virou de camiseta da campanha pelas 'Diretas Já', a pôster em cafés europeus e corrente da Internet.
Depois de anos esgotado em livro, o poema dá nome a um livro que agora está sendo lançado pela Editora Geração. O livro é uma reunião completa da sua obra poética. Dono de um fazer poético vigoroso, impactante, de cunho social, que mistura erudição, criatividade no trato da língua e comunicação imediata com o leitor. Um livro imperdível para a biblioteca de qualquer amante de poesia que se preze.
Da luta contra a ditadura à novela “Mulheres Apaixonadas”, a fantástica história de um poema brasileiro atribuído a Wladimir Maiakovski, García Márquez e Bertolt Brecht – entre outros.
Não há quem não conheça os versos mais do que famosos: 

DESPERTAR É PRECISO
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.

Eles fazem parte, desde 1968, quando foram escritos, de um longo poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa, que nasceu em Niterói e vive desde a infância em São Paulo.
Por algum motivo, foram logo atribuídos pelo escritor Roberto Freire, na epígrafe de um de seus livros, ao poeta russo Wladimir Maiakovski.
O equívoco foi corrigido, mas a falsa autoria pegou: os versos foram transformados em pôster pelos líderes estudantis que combateram a ditadura militar, nos anos 70; transformados em inscrição da camiseta amarela da campanha pelas Diretas Já, nos anos 80: e, traduzidos para vários idiomas, transformados em corrente na Internet, nos anos 90.

Eduardo Alves da Costa 
Poeta, escritor e pintor, Eduardo Alves da Costa nasceu em Niterói, no Estado do Rio, em 1936. Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), trabalhou no Tribunal do Trabalho, o que o levou a concluir que Kafka não inventou nada, apenas observou atentamente a realidade.
Seus poemas estão em várias antologias, entre elas Os 100 melhores poetas brasileiros do século (Geração Editorial). Eduardo já teve suas pinturas expostas em Paris, Haia, Amsterdã, Berlim, Bremen, Antuérpia, além da Pinacoteca de São Paulo e do Museu Nacional de Belas Artes.
Em 2010, passou nove meses em Paris trabalhando num estúdio como convidado da Cité Internationale des Arts. Atualmente, vive em Picinguaba, pequena vila de pescadores no litoral norte de São Paulo.

Vladimir Maiakovski
1.      Vladimir Mayakovsky nasceu na Geórgia, então Rússia, em 1893.
2.      Entrou para a facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo ainda na adolescência, sendo preso várias vezes. Junto com David Burlyuk, Khlebnikov e Kruchonykh, publica o manifesto cubo-futurista intitulado ‘Uma bofetada no gosto do público’.
3.       Após a Revolução de Outubro, trabalhou na Agência Telegráfica Russa, foi redactor da revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), escreveu teatro, fez inúmeras viagens pelo país, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos.
5.      Nuvem de calças, publicado em 1915, foi talvez o seu primeiro grande poema a ser editado. Suicidou-se com um tiro, aos 37 anos de idade, em 14 de Abril de 1930.

(JA, Jun14)



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Definição de Amor


Um senhor de idade chegou a um consultório médico, pra fazer um curativo em sua mão, na qual havia um profundo corte.
E muito apressado pediu urgência no atendimento, pois tinha um compromisso.
O médico que o atendia, curioso perguntou o que tinha de tão urgente pra fazer.
O simpático velhinho lhe disse que todas as manhãs ia visitar sua esposa que estava em um abrigo para idosos, com mal de Alzheimer muito avançado.
O médico muito preocupado com o atraso do atendimento disse:
- Então hoje ela ficará muito preocupada com sua demora?
No que o senhor respondeu:
- Não, ela já não sabe quem eu sou. Há quase cinco anos que não me reconhece mais.
O médico então questionou:
- Mas então para quê tanta pressa, e necessidade em estar com ela todas as manhãs, se ela já não o reconhece mais?
O velhinho então deu um sorriso e batendo de leve no ombro do médico e respondeu:
- Ela não sabe quem eu sou… Mas eu sei muito bem quem ela é!
O médico teve que segurar suas lágrimas enquanto pensava…
O verdadeiro AMOR, não se resume ao físico, nem ao romântico…
O verdadeiro AMOR é aceitação de tudo que o outro é…
De tudo que foi um dia… Do que será amanhã… e do que já não é mais!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sabedoria e velhice andam de mãos dadas

Desde a Antiguidade, o fugidio conceito de sabedoria figura com destaque em textos filosóficos e religiosos. A questão continua intrigante: o que é sabedoria e como ela se dá na vida de cada um?
Vivian Clayton, neuropsicóloga de Orinda (Califórnia) especializada em geriatria, desenvolveu na década de 1970 uma definição de sabedoria que, desde então, serve como fundamento para pesquisas sobre o tema. Após vasculhar textos antigos, ela observou que a maioria das pessoas descritas como sábias tinha a tarefa de tomar decisões. Então ela pediu a um grupo de alunos e professores de direito e juízes aposentados que citasse as características de um sábio, chegando à conclusão de que a sabedoria consiste de três componentes principais: cognição, reflexão e compaixão.
As pesquisas mostram que a função cognitiva se desacelera com o envelhecimento. Mas um recente estudo publicado na revista "Topics in Cognitive Science" observou que pessoas mais velhas têm muito mais informação em seus cérebros que as mais jovens e que a qualidade da informação no cérebro mais velho é mais nuançada. Segundo Clayton, leva tempo até que a pessoa chegue a conclusões e pontos de vista adequados com base em seu conhecimento cognitivo, o que a torna sábia. Só então é possível usar essas conclusões para entender e ajudar os outros.
Monika Ardelt, professora da Universidade da Flórida, sentiu a necessidade de ampliar os estudos sobre a velhice por causa de pesquisas que demonstram que a satisfação no final da vida consiste em coisas como manter a saúde física e mental, fazer atividades voluntárias e ter relações positivas com os outros. Mas isso nem sempre é possível. A sabedoria, concluiu, é o que pode ajudar até mesmo pessoas severamente incapacitadas a encontrarem sentido, contentamento e aceitação na vida.
Ela desenvolveu uma escala que consiste em 39 perguntas destinadas a mensurar três dimensões da sabedoria. As pessoas que respondiam às afirmações na escala de Ardelt não eram informadas de que sua sabedoria estava sendo medida. Depois, os participantes responderam a perguntas sobre desafios hipotéticos, e aqueles que haviam demonstrado indícios de grande sabedoria também se mostravam mais propensos a lidarem melhor com os problemas.
Um impedimento à sabedoria é pensar que "não suporto quem sou hoje, porque não sou mais quem eu era", disse Isabella Bick, psicoterapeuta que, aos 81 anos, ainda trabalha em período parcial em Sharon (Connecticut). Ela tem clientes idosos que ficam incomodados com a percepção de piora na sua aparência, no seu desempenho sexual e nas suas capacidades. Para eles, aceitar o envelhecimento é necessário para crescer, mas "não é uma aceitação resignada, é uma aceitação que abraça", afirmou ela.
A pesquisa de Ardelt mostra que as pessoas em casas de repouso que obtêm notas mais elevadas na escala de sabedoria também relatam uma maior sensação de bem-estar. "Se as coisas estão realmente ruins, é bom ser sábio."
A sabedoria é caracterizada por uma "redução no caráter autocentrado", disse Ardelt. Pessoas sábias tentam entender situações sob múltiplos pontos de vista e por isso demonstram mais tolerância.
Daniel Goleman, autor do livro "Inteligência Emocional", disse que um sinal importante de sabedoria é a "geratividade", termo cunhado pelo psicólogo Erik Erikson, que desenvolveu uma influente teoria sobre os estágios da vida humana. "Geratividade" significa dar sem a necessidade de receber nada em troca, disse Goleman.
Ele entrevistou Erikson e a mulher dele, Joan, no final da década de 1980, quando já eram ambos octogenários. A teoria de Erikson sobre o desenvolvimento humano inicialmente incluía oito estágios, da infância à velhice. Quando o próprio casal Erikson se tornou idoso, no entanto, eles viram a necessidade de acrescentar um nono estágio, no qual a sabedoria desempenha um papel crucial. "Eles retratam uma velhice em que a pessoa tem suficiente convicção da própria completude a ponto de afastar o desespero que a desintegração física gradual pode acarretar", disse Goleman.
"Até mesmo atividades cotidianas podem apresentar dificuldade", escreveu Joan Erikson em uma versão ampliada do livro "O Ciclo de Vida Completo", escrito por seu marido. "É preciso aderir ao processo de adaptação. Com o tato e a sabedoria que pudermos reunir, as incapacidades devem ser aceitas com leveza e humor".

(FSP, The New York Times, Phyllis Korkki) 

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Oscar dos velhos


Velho é teimoso, velho reclama de tudo, velho é ultrapassado, velho dá trabalho, velho quer aquilo que já não pode mais devido ao avanço da idade. Neste ano, três filmes que concorreram a estatuetas do Oscar colocaram em evidência, de maneira marcante, conceitos atribuídos à maturidade.
Embora não tenham ganhado nada, merecem aplausos, audiência e repercussão os temas envolvidos em “Nebraska”, “Philomena” e “Álbum de Família”. Os filmes, todos ainda em exibição pelo país, botaram na roda valores e conflitos da velhice.
As tramas incomodam mais que martelada na casa do vizinho na hora da novela. Catucam relações entre filhos e pais idosos, questionam aquilo que se considera certo ao se analisar o mais velho.
Cinema americano é mesmo enlatado, feito para encher bolsos de dólares e criar ilusões, mas, comparando suas temáticas com as brasileiras, brota um desgosto sem fim em quem vive na terra da alegria e só tem a opção de ver na tela gigante produções de humor enfadonho, bobo e pequeno.
Em “Álbum de Família”, uma mãe enlouquecida pelo câncer e pelo vício em remédios - a fantástica Meryl Streep - rege a desconstrução e a balbúrdia no ninho onde pariu suas crias.
Ácida, chorosa e impiedosa, a velha azucrina ao máximo as três filhas ausentes que retornam ao lar para tentar cuidar da mãe após a morte do pai. Mas como consertar um azedume robustecido ao longo de anos de solidão?
Filhos crescem e dão independência às avessas aos pais, que terão de se virar com suas carências e as consequências da maturidade. Voltar a casa na tentativa de reparar uma doença ou situação crônica de nada adianta sem que pesem a gratidão, o amor.
Já “Philomena” dá vazão a uma certa ingenuidade do velho diante da modernidade, da maldade alheia e do improvável da vida. A personagem que dá título ao filme - interpretada por Judi Denchi - faz rir e chorar com suas considerações a respeito dos acontecimentos que passam ao seu redor.
A lógica empregada pelos mais velhos em suas interpretações da vida, muitas vezes, é simplesmente estranhada e motivo de galhofa, pouco é considerada e analisada em perspectiva de tempo, em profundidade. Mas é “Nebraska” a película que mais provoca tormentas na cabeça do espectador ao mostrar um velho teimoso e já meio atarantado pelo alzheimer - brilhantemente interpretado por Bruce Dern - que insiste em perseguir um sonho tosco, irreal.
É perturbador imaginar que desejos —mesmo absurdos— de velhos podem ser passaporte para o asilo e para o desencadear de desavenças. Até que ponto filhos não compreendem os pais e não sabem lidar com eles, acarinhá-los e ajudá-los em suas felicidades e anseios?
Ainda que todos estejam cada vez mais cercados de idosos, a incompreensão sobre seus universos, algumas vezes cambaleantes, é assustadora no mesmo nível de suas motivações: distanciamento, ignorância, impaciência.
Como diria minha tia Bolsinha, “ispiciar” é ter a arte do cinema atravessando a realidade por séculos na tentativa de despertar e provocar valores humanos que se cansam e se ocultam atrás de prazeres de ficção.

(FSP - Cotidiano, Jairo Marques)



sábado, 22 de março de 2014

Lélio França, 82 anos - "Eu não sou Chico Buarque"

Lélio França, 82 anos, dando um show como compositor de sambas, há mais de 30 anos, com o acompanhamento de uma mera caixinha de fósforos. Os dois vídeos dele no Youtube superam mais de 1.000 visualizações.  Esse samba foi criado para o concurso de sambas da Cerveja Devassa.




quinta-feira, 13 de março de 2014

Sexo na terceira idade


Em tese, os idosos de hoje começaram sua vida sexual no fim dos anos 1960.
"A pílula", como eram chamados os contraceptivos, já estava nas farmácias. Não havia sífilis ou gonorreia que resistissem a umas injeções de penicilina. E soprava o vento da contracultura: transar de maneira mais "animada" do que a média era uma declaração de princípios, uma nova liberdade. Por que diabo usaríamos preservativos?
A festa durou até a epidemia de Aids. Quem começou sua vida sexual depois de 1980 teve que conciliar desejos e fantasias sexuais com a proteção de uma camisinha.
Houve marqueteiros para vender o erotismo do preservativo. Não funcionou bem: as pessoas usam camisinha porque estão com medo, não porque acham graça brincar com um tubinho de borracha colorido e sabor morango.
Enfim, os que têm mais de 60 anos hoje agradecem a Deus por ter descoberto os prazeres do sexo antes de 1980 e acham que o uso da camisinha impõe uma transa menos prazerosa (não pela borracha em si, mas porque é preciso penetrar, copular sem interrupções e, no fim, cuidar para que o sêmen não extravase).
De fato, eles não usaram camisinha na juventude e estão agora numa idade em que, para se excitar, é melhor potencializar tudo o que incentiva e minimizar tudo o que brocha. Não é o caso de deixar uma camisinha complicar um desejo que já não tem mais "aquela" assertividade.
De fato, eis os números. Segundo uma grande pesquisa de 2010, nos EUA, a camisinha é usada em 40% dos encontros sexuais entre jovens universitários. Agora, nos encontros entre parceiros de 61 anos ou mais, a camisinha é usada em apenas 6% dos casos. 
Você dirá: nada demais. Afinal, supõe-se que os idosos usem sua "melhor" idade frequentando cinemas ou teatros (por isso pagam meia), e não transando. Além disso, talvez eles estejam há tempos em casais fixos, por que usariam camisinha? Pois é, não é bem assim.
O Department of Health and Human Services dos EUA publicou, no fim de 2013, um relatório segundo o qual, entre os inscritos no programa de saúde para os americanos idosos (Medicare), os pedidos para testes de HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis são tão numerosos quanto os pedidos para colonoscopia (que são a cada um ou dois anos). É paranoia dos velhos?
Não parece: os Centers for Disease Control and Prevention anunciam que, entre 2007 e 2011, nos Estados Unidos, a sífilis, entre maiores de 65 anos, cresceu 52%.
O que está acontecendo? Segundo Ezekiel J. Emanuel, um oncologista que escreve para "The New York Times" (http://migre.me/ieb8J), há duas explicações: 
1) cada vez mais idosos vivem em residências para terceira idade (Nota: não se sinta culpado de deixar sua mãe ou seu pai viúvos nessas comunidades: a vida sexual que eles terão será mais divertida do que as tardes com você e os netos); 
2) a reposição hormonal nas mulheres e, nos homens, a chegada de Viagra, Cialis e Levitra, renovaram a disposição sexual dos idosos.
Ok, mas não é só isso. Os idosos de hoje não transam só porque vivem em comunidades ou porque existem Viagra, Cialis ou Levitra. Eles transam obstinadamente por causa de ideias que eles mesmos lançaram com sucesso em sua juventude: a partir dos anos 1960, justamente, transar se tornou um sinal imprescindível de vigor, alegria, harmonia com o mundo e com os outros, juventude e, sei lá, boa saúde física e mental.
É pelo sucesso dessas ideias que o idoso não sente alívio quando a urgência do desejo diminui (afinal, o sexo é um esporte complicado, incerto e cansativo, e poderia ser bom não ter que se preocupar mais com isso). Ao contrário, o idoso de hoje sente a obrigação de manter seu desejo vivo.
Há muitos homens idosos que usam Cialis diário para acordar cada dia com uma ereção (ou quase) e, eventualmente, fazer o esforço de fantasiar e se masturbar. E há mulheres que optam pela reposição hormonal (que não é sem riscos) para não desistir do sexo.
Em suma, a idealização do sexo tornou intolerável o descanso sexual na terceira idade. Não lamento e não encorajo ninguém a se aposentar. Apenas reparo que o aumento da atividade sexual dos idosos não é só um efeito das pílulas ou das comunidades de viúvos e viúvas, mas é um efeito da idealização do sexo que esses mesmos idosos promoveram (com grande sucesso) quando eram jovens.

(FSP, Ilustrada 13-Mar14, Contardo Calligaris)