quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sabedoria e velhice andam de mãos dadas

Desde a Antiguidade, o fugidio conceito de sabedoria figura com destaque em textos filosóficos e religiosos. A questão continua intrigante: o que é sabedoria e como ela se dá na vida de cada um?
Vivian Clayton, neuropsicóloga de Orinda (Califórnia) especializada em geriatria, desenvolveu na década de 1970 uma definição de sabedoria que, desde então, serve como fundamento para pesquisas sobre o tema. Após vasculhar textos antigos, ela observou que a maioria das pessoas descritas como sábias tinha a tarefa de tomar decisões. Então ela pediu a um grupo de alunos e professores de direito e juízes aposentados que citasse as características de um sábio, chegando à conclusão de que a sabedoria consiste de três componentes principais: cognição, reflexão e compaixão.
As pesquisas mostram que a função cognitiva se desacelera com o envelhecimento. Mas um recente estudo publicado na revista "Topics in Cognitive Science" observou que pessoas mais velhas têm muito mais informação em seus cérebros que as mais jovens e que a qualidade da informação no cérebro mais velho é mais nuançada. Segundo Clayton, leva tempo até que a pessoa chegue a conclusões e pontos de vista adequados com base em seu conhecimento cognitivo, o que a torna sábia. Só então é possível usar essas conclusões para entender e ajudar os outros.
Monika Ardelt, professora da Universidade da Flórida, sentiu a necessidade de ampliar os estudos sobre a velhice por causa de pesquisas que demonstram que a satisfação no final da vida consiste em coisas como manter a saúde física e mental, fazer atividades voluntárias e ter relações positivas com os outros. Mas isso nem sempre é possível. A sabedoria, concluiu, é o que pode ajudar até mesmo pessoas severamente incapacitadas a encontrarem sentido, contentamento e aceitação na vida.
Ela desenvolveu uma escala que consiste em 39 perguntas destinadas a mensurar três dimensões da sabedoria. As pessoas que respondiam às afirmações na escala de Ardelt não eram informadas de que sua sabedoria estava sendo medida. Depois, os participantes responderam a perguntas sobre desafios hipotéticos, e aqueles que haviam demonstrado indícios de grande sabedoria também se mostravam mais propensos a lidarem melhor com os problemas.
Um impedimento à sabedoria é pensar que "não suporto quem sou hoje, porque não sou mais quem eu era", disse Isabella Bick, psicoterapeuta que, aos 81 anos, ainda trabalha em período parcial em Sharon (Connecticut). Ela tem clientes idosos que ficam incomodados com a percepção de piora na sua aparência, no seu desempenho sexual e nas suas capacidades. Para eles, aceitar o envelhecimento é necessário para crescer, mas "não é uma aceitação resignada, é uma aceitação que abraça", afirmou ela.
A pesquisa de Ardelt mostra que as pessoas em casas de repouso que obtêm notas mais elevadas na escala de sabedoria também relatam uma maior sensação de bem-estar. "Se as coisas estão realmente ruins, é bom ser sábio."
A sabedoria é caracterizada por uma "redução no caráter autocentrado", disse Ardelt. Pessoas sábias tentam entender situações sob múltiplos pontos de vista e por isso demonstram mais tolerância.
Daniel Goleman, autor do livro "Inteligência Emocional", disse que um sinal importante de sabedoria é a "geratividade", termo cunhado pelo psicólogo Erik Erikson, que desenvolveu uma influente teoria sobre os estágios da vida humana. "Geratividade" significa dar sem a necessidade de receber nada em troca, disse Goleman.
Ele entrevistou Erikson e a mulher dele, Joan, no final da década de 1980, quando já eram ambos octogenários. A teoria de Erikson sobre o desenvolvimento humano inicialmente incluía oito estágios, da infância à velhice. Quando o próprio casal Erikson se tornou idoso, no entanto, eles viram a necessidade de acrescentar um nono estágio, no qual a sabedoria desempenha um papel crucial. "Eles retratam uma velhice em que a pessoa tem suficiente convicção da própria completude a ponto de afastar o desespero que a desintegração física gradual pode acarretar", disse Goleman.
"Até mesmo atividades cotidianas podem apresentar dificuldade", escreveu Joan Erikson em uma versão ampliada do livro "O Ciclo de Vida Completo", escrito por seu marido. "É preciso aderir ao processo de adaptação. Com o tato e a sabedoria que pudermos reunir, as incapacidades devem ser aceitas com leveza e humor".

(FSP, The New York Times, Phyllis Korkki) 

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Oscar dos velhos


Velho é teimoso, velho reclama de tudo, velho é ultrapassado, velho dá trabalho, velho quer aquilo que já não pode mais devido ao avanço da idade. Neste ano, três filmes que concorreram a estatuetas do Oscar colocaram em evidência, de maneira marcante, conceitos atribuídos à maturidade.
Embora não tenham ganhado nada, merecem aplausos, audiência e repercussão os temas envolvidos em “Nebraska”, “Philomena” e “Álbum de Família”. Os filmes, todos ainda em exibição pelo país, botaram na roda valores e conflitos da velhice.
As tramas incomodam mais que martelada na casa do vizinho na hora da novela. Catucam relações entre filhos e pais idosos, questionam aquilo que se considera certo ao se analisar o mais velho.
Cinema americano é mesmo enlatado, feito para encher bolsos de dólares e criar ilusões, mas, comparando suas temáticas com as brasileiras, brota um desgosto sem fim em quem vive na terra da alegria e só tem a opção de ver na tela gigante produções de humor enfadonho, bobo e pequeno.
Em “Álbum de Família”, uma mãe enlouquecida pelo câncer e pelo vício em remédios - a fantástica Meryl Streep - rege a desconstrução e a balbúrdia no ninho onde pariu suas crias.
Ácida, chorosa e impiedosa, a velha azucrina ao máximo as três filhas ausentes que retornam ao lar para tentar cuidar da mãe após a morte do pai. Mas como consertar um azedume robustecido ao longo de anos de solidão?
Filhos crescem e dão independência às avessas aos pais, que terão de se virar com suas carências e as consequências da maturidade. Voltar a casa na tentativa de reparar uma doença ou situação crônica de nada adianta sem que pesem a gratidão, o amor.
Já “Philomena” dá vazão a uma certa ingenuidade do velho diante da modernidade, da maldade alheia e do improvável da vida. A personagem que dá título ao filme - interpretada por Judi Denchi - faz rir e chorar com suas considerações a respeito dos acontecimentos que passam ao seu redor.
A lógica empregada pelos mais velhos em suas interpretações da vida, muitas vezes, é simplesmente estranhada e motivo de galhofa, pouco é considerada e analisada em perspectiva de tempo, em profundidade. Mas é “Nebraska” a película que mais provoca tormentas na cabeça do espectador ao mostrar um velho teimoso e já meio atarantado pelo alzheimer - brilhantemente interpretado por Bruce Dern - que insiste em perseguir um sonho tosco, irreal.
É perturbador imaginar que desejos —mesmo absurdos— de velhos podem ser passaporte para o asilo e para o desencadear de desavenças. Até que ponto filhos não compreendem os pais e não sabem lidar com eles, acarinhá-los e ajudá-los em suas felicidades e anseios?
Ainda que todos estejam cada vez mais cercados de idosos, a incompreensão sobre seus universos, algumas vezes cambaleantes, é assustadora no mesmo nível de suas motivações: distanciamento, ignorância, impaciência.
Como diria minha tia Bolsinha, “ispiciar” é ter a arte do cinema atravessando a realidade por séculos na tentativa de despertar e provocar valores humanos que se cansam e se ocultam atrás de prazeres de ficção.

(FSP - Cotidiano, Jairo Marques)



sábado, 22 de março de 2014

Lélio França, 82 anos - "Eu não sou Chico Buarque"

Lélio França, 82 anos, dando um show como compositor de sambas, há mais de 30 anos, com o acompanhamento de uma mera caixinha de fósforos. Os dois vídeos dele no Youtube superam mais de 1.000 visualizações.  Esse samba foi criado para o concurso de sambas da Cerveja Devassa.




quinta-feira, 13 de março de 2014

Sexo na terceira idade


Em tese, os idosos de hoje começaram sua vida sexual no fim dos anos 1960.
"A pílula", como eram chamados os contraceptivos, já estava nas farmácias. Não havia sífilis ou gonorreia que resistissem a umas injeções de penicilina. E soprava o vento da contracultura: transar de maneira mais "animada" do que a média era uma declaração de princípios, uma nova liberdade. Por que diabo usaríamos preservativos?
A festa durou até a epidemia de Aids. Quem começou sua vida sexual depois de 1980 teve que conciliar desejos e fantasias sexuais com a proteção de uma camisinha.
Houve marqueteiros para vender o erotismo do preservativo. Não funcionou bem: as pessoas usam camisinha porque estão com medo, não porque acham graça brincar com um tubinho de borracha colorido e sabor morango.
Enfim, os que têm mais de 60 anos hoje agradecem a Deus por ter descoberto os prazeres do sexo antes de 1980 e acham que o uso da camisinha impõe uma transa menos prazerosa (não pela borracha em si, mas porque é preciso penetrar, copular sem interrupções e, no fim, cuidar para que o sêmen não extravase).
De fato, eles não usaram camisinha na juventude e estão agora numa idade em que, para se excitar, é melhor potencializar tudo o que incentiva e minimizar tudo o que brocha. Não é o caso de deixar uma camisinha complicar um desejo que já não tem mais "aquela" assertividade.
De fato, eis os números. Segundo uma grande pesquisa de 2010, nos EUA, a camisinha é usada em 40% dos encontros sexuais entre jovens universitários. Agora, nos encontros entre parceiros de 61 anos ou mais, a camisinha é usada em apenas 6% dos casos. 
Você dirá: nada demais. Afinal, supõe-se que os idosos usem sua "melhor" idade frequentando cinemas ou teatros (por isso pagam meia), e não transando. Além disso, talvez eles estejam há tempos em casais fixos, por que usariam camisinha? Pois é, não é bem assim.
O Department of Health and Human Services dos EUA publicou, no fim de 2013, um relatório segundo o qual, entre os inscritos no programa de saúde para os americanos idosos (Medicare), os pedidos para testes de HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis são tão numerosos quanto os pedidos para colonoscopia (que são a cada um ou dois anos). É paranoia dos velhos?
Não parece: os Centers for Disease Control and Prevention anunciam que, entre 2007 e 2011, nos Estados Unidos, a sífilis, entre maiores de 65 anos, cresceu 52%.
O que está acontecendo? Segundo Ezekiel J. Emanuel, um oncologista que escreve para "The New York Times" (http://migre.me/ieb8J), há duas explicações: 
1) cada vez mais idosos vivem em residências para terceira idade (Nota: não se sinta culpado de deixar sua mãe ou seu pai viúvos nessas comunidades: a vida sexual que eles terão será mais divertida do que as tardes com você e os netos); 
2) a reposição hormonal nas mulheres e, nos homens, a chegada de Viagra, Cialis e Levitra, renovaram a disposição sexual dos idosos.
Ok, mas não é só isso. Os idosos de hoje não transam só porque vivem em comunidades ou porque existem Viagra, Cialis ou Levitra. Eles transam obstinadamente por causa de ideias que eles mesmos lançaram com sucesso em sua juventude: a partir dos anos 1960, justamente, transar se tornou um sinal imprescindível de vigor, alegria, harmonia com o mundo e com os outros, juventude e, sei lá, boa saúde física e mental.
É pelo sucesso dessas ideias que o idoso não sente alívio quando a urgência do desejo diminui (afinal, o sexo é um esporte complicado, incerto e cansativo, e poderia ser bom não ter que se preocupar mais com isso). Ao contrário, o idoso de hoje sente a obrigação de manter seu desejo vivo.
Há muitos homens idosos que usam Cialis diário para acordar cada dia com uma ereção (ou quase) e, eventualmente, fazer o esforço de fantasiar e se masturbar. E há mulheres que optam pela reposição hormonal (que não é sem riscos) para não desistir do sexo.
Em suma, a idealização do sexo tornou intolerável o descanso sexual na terceira idade. Não lamento e não encorajo ninguém a se aposentar. Apenas reparo que o aumento da atividade sexual dos idosos não é só um efeito das pílulas ou das comunidades de viúvos e viúvas, mas é um efeito da idealização do sexo que esses mesmos idosos promoveram (com grande sucesso) quando eram jovens.

(FSP, Ilustrada 13-Mar14, Contardo Calligaris)



sábado, 8 de março de 2014

Residenciais para a terceira idade vão de vila a hotel de luxo

Você acorda cedo e o café da manhã está ao lado de sua cama. Desce as escadas e pode escolher entre participar de alguma atividade, jogar cartas ou ler um livro na biblioteca. Depois pode dar uma passada na academia, fazer hidroginástica, sair para um passeio ou participar de aulas de canto. Depois do almoço, que lhe espera pronto em seu quarto, talvez uma sessão de cinema, que fica no andar térreo. Ou simplesmente caminhar pelos jardins e dar comida aos patos, se o bucólico lhe atrai.
Parece a descrição de férias em um hotel caro, mas é a rotina de idosos que pagam até R$ 10 mil por mês para morar em residenciais construídos especialmente para pessoas acima de 60 anos.
Na opinião da psicanalista Angela Mucida, autora do livro "O sujeito não envelhece - Psicanálise e velhice" (editora Autêntica), o modelo atual de residenciais faz sentido no casos de pessoas que têm problemas e deficiências, como Alzheimer e locomoção reduzida, já que a família não é capaz de tomar conta destas pessoas adequadamente.
Ela critica, porém, que pessoas em plenas condições vivam em comunidades só para idosos. "É um sistema que segrega. O ideal para o idoso é conviver com várias gerações e não ficar acomodado. Mas muitas vezes a família pressiona e ele mesmo considera que está dando trabalho e acaba pedindo para ir morar nestes lugares", diz.
A maioria dos moradores destes locais, porém, está disposta a limitar sua convivência em troca dos benefícios oferecidos.
LÁ NO HOTEL
Localizado em Alphaville, bairro nobre de Barueri, cidade da Grande São Paulo, o hotel Solar Ville Garaude tem todas os seus 54 quartos ocupados. Há uma lista de espera para os dispostos a pagar uma mensalidade de R$ 5.900. Com atividades diárias e espaços de convivência, o hotel tem uma proposta de integração dos moradores.
Mas há quem prefira viver uma vida mais reservada, como a artista plástica Rosita Nialie, 80, que via TV enquanto outros moradores participavam de uma gincana. "Fiz colégio interno no Mackenzie e essas brincadeiras me lembram de lá. Não quero voltar à infância", diz.
Há um ano e meio no Solar, conta que a principal vantagem do lugar, além da companhia, é a comodidade. "Eu durmo, como e durmo."
Já Maria Heloísa Gonzaga Novais Assunção, 62, há quatro anos e meio no local, faz questão de participar das atividades e diz que não pretende sair do Solar. "Aqui você não se sente mais um", diz.
Críticas, só a quem usa a idade como limitação. "Odeio quando alguém vem reclamar que não tem o que fazer. Não tem, arruma! Mas tem gente que é assim mesmo, vive só para comer e dormir."
No Solar, como em outros residenciais, são as mulheres que dominam. Elas representam mais de 80% dos moradores. De acordo com os funcionários, isso acontece por causa da maior expectativa de vida das mulheres, de sete anos a mais que os homens, em média.
VIDA NA VILA
No Lar Recanto Feliz, no Butantã (zona oeste de São Paulo), os moradores podem escolher entre morar em casas ou apartamentos, em um espaço que lembra um condomínio fechado.
Com 28.000 m², área maior que a praça dos Três Poderes, em Brasília, o residencial oferece serviços que incluem limpeza das residências, acompanhamento médico 24 horas e atividades diárias.
Josefina Boralli, 72, foi ao Recanto Feliz para passar apenas alguns meses, mas mudou de opinião. "Agora eu tenho certeza de que vou passar o resto da minha vida aqui", diz. Assim como no Solar, a praticidade e a comodidade são sempre lembradas. "É muito gostoso, a gente não precisa nem limpar a casa."
O seu semblante só muda quando lembra dos vizinhos que se foram. "É a parte triste né, mas a gente tem que se conformar."
Judith Baroni, 82, mora no Recanto há 14 anos. "Quando eu cheguei, a casa em que moro estava caindo aos pedaços. Eu reformei por sete meses e me apaixonei por aqui", diz.
Recentemente, resolveu aprender a mexer na internet e criou um e-mail. "Era tanta porcaria que vinha! Depois dessa experiência eu desisti. Quero é paz, sossego e sair passeando por aí", disse, continuando sua caminhada.
DE VOLTA AO LAR
Mais próximo do padrão clássico de residencial, o Lar Sant´Ana, localizado no bairro de Pinheiros (zona oeste de São Paulo), tem 115 hóspedes que pagam entre R$ 6 mil e R$ 10 mil ao mês para contar com uma equipe que inclui nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo.
Segundo Maria José Zocal Pereira dos Santos, 50, gestora da unidade, os preços variam pelo tamanho do apartamento, mas os serviços são os mesmos.
Dentre os moradores, John Keith Handy, 78, é um dos poucos homens do local. Para ele, o lado bom do residencial são as atividades e o tempo livre. "Como eu não tenho que me preocupar com nada, leio bastante. Leio muito jornal, sou um grande jornalista", diz, rindo.
Se no caso de Handy a escolha foi feita junto à família, no caso de Yeda Ribeiro de Souza, 81, nutricionista aposentada, foi diferente. "Eu passei mal, desmaiei e, quando acordei, estava aqui", diz.
Embora tenha sido difícil no começo para ela, conta que acabou se acostumando com a rotina. "Quando eu penso em tudo que eu tinha de trabalho em casa, acho que estou mais sossegada aqui, com minhas palavras cruzadas."
(FSP, Marcelo Souza, 08-Mar14)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mulheres com mais de 70 têm "o melhor sexo de suas vidas"

Pesquisadora americana conclui que mulheres mais velhas são mais aventureiras  e confiantes na sua sexualidade que as jovens


Segundo a crença popular, o desejo e a atividade sexual diminuem com a idade, especialmente nas mulheres. Mas uma acadêmica da American University, de Washington, sugere que mulheres com mais de 70, 80 ou até 90 desfrutam a melhor atividade sexual de suas vidas. 
Iris Krasnow, professora de Jornalismo e Estudos Femininos, entrevistou 150 mulheres entre 20 e 90 anos sobre os seus segredos mais íntimos e teve conversas surpreendentes e reveladoras - que acabada de publicar no livro Sex After...: Women Share How Intimacy Changes as Life Changes ("Sexo depois dos...: Mulheres compartilham como a intimidade muda com as mudanças da vida", em tradução livre).
Krasnow abordou o assunto de vários ângulos, indagando sobre a atividade sexual em diferentes fases da vida: depois da faculdade, da maternidade, da menopausa e da viuvez.
Descobriu que as mulheres mais velhas eram mais aventureiras e mais confiantes na sua sexualidade que as jovens que estão em fase de "envolvimento" ou namoro. "A era da senhora", diz.

'Frágil, enrugada e seca'

Suas entrevistadas eram de diferentes idades, classes sociais, raças, culturas e religiões. Mas o fator comum é que relatos de sexo bom estavam sempre ligados ao desenvolvimento de intimidade e conexão emocional.
"As pessoas pensam sobre o sexo até o momento em que morrem", disse Iris Krasnow, em entrevista à BBC Mundo (serviço espanhol).
E, de acordo com o que dizem, não estão só pensando, mas também praticando e se divertindo. "A era da mulher de 78 anos, frágil, enrugada e seca é coisa do passado", disse a autora.
Ela acrescentou que as mulheres entre 80 e 90 anos estão na faixa etária que mais cresce dentro da população idosa, em muitos países ocidentais. O que estamos vendo agora é não só um aumento na longevidade, mas o aumento da atividade sexual neste setor da sociedade.
Este crescimento da expectativa de vida vem com melhores remédios, mais vigor, mais exercício, melhor dieta e saúde - o que resulta numa população de terceira idade mais sexual e saudável do que antes.

TER ORGASMOS É MELHOR PARA O CÉREBRO DO QUE FAZER PALAVRAS CRUZADAS: a afirmação é de Barry Komisaruk, pesquisador da Universidade Rutgers, no estado de Nova Jersey, Estados Unidos. Por meio de seu estudo, ele concluiu que, durante o clímax sexual, há um aumento no fluxo de sangue, fazendo com que mais nutrientes e oxigênio cheguem ao cérebro. E enquanto os exercícios mentais, como palavras cruzadas e sudoku, aumentam a atividade cerebral em regiões localizadas, o orgasmo ativa o cérebro como um todo

FAZER SEXO AJUDA A FORTALECER O SISTEMA IMUNOLÓGICO: um estudo feito pela Universidade Wilkes, nos Estados Unidos, constatou que as pessoas que mantêm relações sexuais uma ou duas vezes por semana melhoram o seu sistema imunológico em 30%. Isso se deve ao aumento da imunoglobulina A no organismo, que protege contra resfriados e infecções

SEXO AJUDA A MELHORAR DORES DE CABEÇA: pesquisadores da Universidade de Münster, na Alemanha, descobriram que o sexo não precisa mais ser evitado por conta de dores de cabeça. Na verdade, transar ajuda a aliviar esse desconforto. Entre os 400 entrevistados pela pesquisa, 60% dos pacientes com enxaqueca e 36% dos que tinham cefaleia sentiram-se melhor depois da relação sexual. Isso se deve ao fato de que, durante o sexo, há um aumento na produção de endorfina, substância que ajuda a aliviar qualquer tipo de dor 

SEXO TORNA O CORAÇÃO DO HOMEM MAIS FORTE: quatro mil homens foram avaliados durante uma pesquisa feita pela Universidade de Florença, na Itália, que constatou menos problemas no coração e mais tempo de vida para aqueles que mantiveram uma vida sexual ativa até ali. Os cientistas envolvidos na pesquisa explicam que o sexo estimula a produção de testosterona, hormônio que pode atuar como protetor do sistema cardiovascular

FAZER SEXO MELHORA A APARÊNCIA DA PELE: pessoas na faixa dos 40 anos que mantêm relações sexuais pelo menos três vezes na semana têm aparência mais jovem. A afirmação é de pesquisadores do Hospital Royal Edinburgh, na Escócia. Os estudiosos acreditam que esse resultado deve-se ao hormônio DHEA, liberado durante o sexo e produzido pelas glândulas suprarrenais. Ele pode aumentar a produção de colágeno e, como consequência, reduzir as rugas

SEXO AJUDA A DORMIR MELHOR: durante o orgasmo, o corpo libera endorfina, substância que causa sensação de bem-estar e induz ao relaxamento e ao sono. De acordo com a educadora sexual Laura Berman, professora da Escola de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, em Chicago, essa é a única atividade física que se pode praticar antes de dormir

SEXO FORTALECE VÍNCULOS ENTRE AS PESSOAS: transar aumenta os níveis de oxitocina no organismo, o hormônio do amor, que faz com que as pessoas sintam-se mais conectadas umas com as outras. Segundo a pesquisadora Debra Herbenick, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, se o sexo for feito pela manhã, o casal se sentirá mais próximo durante o dia todo

FAZER SEXO FREQUENTEMENTE AJUDA A CONTROLAR NEUROSES EM RELACIONAMENTOS: pesquisadores da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, acompanharam 72 casais ao longo dos primeiros quatro anos de casamento. E descobriram que para aqueles considerados neuróticos na relação --que se irritavam facilmente, mudavam de humor frequentemente e estavam sempre preocupados--, a atividade sexual regular trouxe um incrível benefício: transformou-os em cônjuges mais felizes e realizados 

A PRÁTICA DO SEXO REDUZ O ESTRESSE: um estudo conduzido pela Universidade do Oeste da Escócia, na cidade de Paisley, contatou que fazer sexo é capaz de baixar a pressão sanguínea. Durante a pesquisa, os voluntários fizeram um diário de suas atividades sexuais por duas semanas. A pressão deles também era monitorada em diferentes momentos do dia. O estudo mostrou que, ao fazer sexo, a medida baixava. A explicação é que a produção de hormônios calmantes aumenta muito durante a relação, influenciando de forma positiva a pressão

SEXO TORNA AS PESSOAS MAIS FELIZES: mulheres na faixa dos 40 anos foram analisadas durante 36 semanas, por pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos. O estudo mostrou que quando elas se aproximavam fisicamente do parceiro --abraçavam, beijavam e mantinham relações sexuais-- apresentavam uma significativa melhora no humor. O bem-estar proporcionado pela atividade também as fazia querer repetir a dose no dia seguinte, contribuindo para a instalação de um círculo virtuoso envolvendo o casal

Igualmente arcaico, indica Krasnow, é o mito de que as mudanças fisiológicas, como a menopausa, cirurgias de câncer ou histerectomia (retirada do útero), não permitem o desenvolvimento da atividade sexual saudável.
"Uma das minhas entrevistadas fez uma histerectomia aos 30 e, depois disso, melhorou sua vida sexual", deu como exemplo. "Também inclui no livro as histórias de mulheres de 90 que estão iniciando relacionamentos", destacou.
Segundo a especialista em Estudos Femininos, a alegada incapacidade das mulheres permanecerem sexualmente ativas na velhice é um mito perpetuado por homens mais velhos que querem firmar sua juventude e, com a ajuda de Viagra, buscam relacionamentos com mulheres mais novas.
Embora não seja necessariamente defensora do uso de medicamentos, que podem ter efeitos colaterais graves, a acadêmica argumenta que hoje há acesso a uma gama de opções de tratamentos, desde os hormonais e lubrificantes aos antidepressivos, que podem devolver o entusiasmo e a capacidade de desfrutar do sexo.
Saúde e aparência

Iris Krasnow divide as mulheres que se reencontram com sua sexualidade após os 65 anos em duas categorias:
A primeira é a do "ninho vazio" - aquela mulher que terminou de criar os filhos, adolescentes e estudantes universitários, e estes já saíram de casa.
Se antes estavam sobrecarregadas pela agitação doméstica, ocupadas em levar as crianças para lá e para cá ou preocupadas com que alguma delas a surpreendesse fazendo amor com seu parceiro, agora estão comemorando as possibilidades oferecidas por esta última fase da vida.
Essas mulheres e seus parceiros estão geralmente aposentados, mas ativos e conectados com o mundo exterior por meio de dispositivos modernos e redes de comunicação. Mas, principalmente, eles estão relaxados.
"Uma mulher me disse que, pela primeira vez, fez sexo na cozinha e estava experimentando um vibrador", disse Krasnow.
A outra categoria é a viúva. A mulher que foi casada por 55 anos e cuja vida sexual passou de ardente a aborrecida e, finalmente, inexistente. A que cuidou de seu marido doente por dez anos e o viu morrer.
"Agora essa viúva conhece outro viúvo - jogando golfe ou cartas - e os dois começam a praticar carícias de formas que nunca fizeram. Isso torna-se o melhor sexo de suas vidas", disse ela.
Um aspecto importante é a boa saúde, conseguida através de atividade e dieta adequadas.As pessoas que vivem um estilo de vida sedentário e comendo demais não só se sentem mal, como não gostam como se vêem, afirma Krasnow."Alguém com sobrepeso geralmente têm outros problemas, come para preencher um buraco em sua alma", disse ela. "Se você estiver com sobrepeso, certamente não tem boa circulação e não há irrigação para os órgãos genitais. Sexo é a irrigação", observa.
"100% das mulheres em seus 70 e 80 anos que disseram que estavam tendo um bom sexo estão em excelente condição física", contou.
Sexo, por sua vez, prolonga a vida, assegura a pesquisadora. "Fisiologicamente, mantém o coração andando, as entranhas andando, o corpo andando, a vida andando".

Intimidade

Mas o mais importante no desenvolvimento de uma boa prática sexual é a conexão emocional. O sexo é melhor quando há uma emoção igualmente profunda.
Krasnow chegou a essa conclusão depois de entrevistar milhares de casais ao longo de mais de três décadas.
"A pessoa que diz que só quer sexo sem amor mente. Todo mundo quer amar e ser amado. Isso é uma sensação primária que todos buscamos, sentir-se único nos olhos do amante", diz.
"Tudo parte de uma química sexual, explica, e, se essa química converte-se em compromisso e amor, o casal tem uma boa chance de sucesso e uma vida longa juntos. E se os dois estão de acordo com a evolução sexual de ambos, tudo fluirá bem", nota.
"Se você escolhe um parceiro desejado e sua mente pode se adaptar a um corpo envelhecido, sexualmente qualquer coisa é possível", acrescenta.
Nem tudo tem que ser sexo na cozinha ou de alta intensidade, Krasnow explica. Pode ser uma boa sessão de amasso ou uma massagem lenta e concentrada.
"O que pode ser melhor que isso? Sexo é o vínculo que temos com a nossa juventude. Nos mantém feliz, jovens e vivos".
Por mais que o comportamento humano mude e evolua, alguns mitos são perpetuados através das gerações. Quando o assunto é sexo, então, não é nada difícil que um conceito da época da sua avó volta e meia seja citado por alguém como verdade incontestável. Falta de informação, preconceito e dificuldade para abordar o tema são alguns dos fatores que ainda mantêm vivas algumas crenças equivocadas.
Veja, a seguir, alguns exemplos.
Por Heloísa Noronha, do UOL, em São Paulo (com colaboração de Thais Carvalho Diniz)Didi Cunha/UOL
MULHER PRECISA DE PRELIMINARES SEMPRE?Não é bem assim, segundo a ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite do Ambulatório de Sexualidade Feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Se ela já estiver excitada, por exemplo, após ver um filme erótico, com muita saudade do namorado ou com alguma fantasia de transar em um local diferente, uma rapidinha pode cair muito bem", diz a especialista.
TODA MULHER SENTE DOR E TEM SANGRAMENTO NA PRIMEIRA VEZ?Não. "Se a mulher está realmente querendo transar e excitada, pode não sentir dor", conta a ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite do Ambulatório de Sexualidade Feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O sangramento também não é obrigatório. Isso varia de mulher para mulher. "O sangramento se dá devido à ruptura de uma membrana, o hímen, que, na maioria dos casos, é bastante frágil. Sangrar mais ou menos varia de acordo com a mulher e está relacionado à tranquilidade com que essa primeira relação ocorre", afirma a terapeuta sexual Isabel Delgado
HOMEM SÓ TEM ORGASMO QUANDO EJACULA?
Não. Normalmente, o orgasmo e a ejaculação são dois processos que acontecem ao mesmo tempo, mas não é uma regra. "Em algumas ocasiões pode haver o prazer sem sair liquido algum. Isso ocorre, por exemplo, após uma cirurgia da próstata ou quando o líquido que contém os espermatozoides escorre em direção à bexiga [ejaculação retrógrada]", diz o urologista Ricardo Felts de la Roca. Também é comum em certas situações de estresse o homem interromper o gozo e sentir prazer sem a saída do liquido seminal. Se ocorre com frequência, é preciso consultar um médico
HOMEM EXAGERA QUANDO DIZ QUE SENTE DOR SE NÃO TRANSAR COM REGULARIDADE?
Nem sempre. Pode haver incômodo, sim. O acúmulo dos espermatozoides nos testículos leva a um aumento na sensibilidade testicular, devido a um aumento na pressão dentro de delicados túbulos. Pode ocorrer, ainda, uma sensação de peso dentro da uretra e uma certa dificuldade na micção, pelo aumento do volume da próstata
PARTO NORMAL ALTERA A ELASTICIDADE DA VAGINA?Não. O que pode acontecer, dependendo de como o parto normal é feito, é a ruptura dos ligamentos que existem ao redor da vagina, o que pode causar flacidez, segundo o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, médico do Hospital Sírio-Libanês. "A vagina é um órgão elástico, e tem que ser assim para permitir a passagem da cabeça do bebê. Essa elasticidade é natural e pode ser rompida em algumas situações, como, por exemplo, em um parto vaginal prolongado, quando a cabeça do bebê fica presa por muito tempo, ou quando a criança é muito grande, a ponto de ultrapassar a capacidade de dilatação. Na menopausa, porém, por questões hormonais, essa elasticidade vai diminuindo", explica o médico
SE O HOMEM TEM PRAZER NA REGIÃO ANAL ELE TEM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS?
Não. Segundo a terapeuta sexual Arlete Girello Gavranic, coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (Isexp), a região é rica em terminações nervosas. "Ao introduzir dedos ou brinquedos eróticos no parceiro, a mulher consegue estimular sua próstata, o que proporciona um prazer intenso ao homem. É uma experiência que pode ser interessante para o casal e que não tem nada ver com homossexualidade", afirma
O CORPO DA MULHER MUDA APÓS A PRIMEIRA RELAÇÃO SEXUAL?
Isso não passa de um mito. "As pessoas associam a mudança com a primeira vez porque, geralmente, as meninas perdem a virgindade durante a adolescência, época em que o corpo está passando por mudanças", afirma a ginecologista Rosane Rodrigues
PÍLULA DO DIA SEGUINTE É 100% EFICAZ?
A pílula do dia seguinte é capaz de impedir a gravidez na maioria dos casos, mas não é totalmente garantida. A sua eficácia é maior quanto mais precocemente for tomada a primeira dose (95% nas primeiras 24 horas; 85% entre 25 e 48 horas e 58% entre 49 e 72 horas). "Um outro fator que diminui a chance da pílula do dia seguinte dar certo é usá-la mais de uma vez em um mesmo ciclo. Por esse motivo, ela não deve substituir os métodos anticoncepcionais de uso regular", explica a ginecologista Rosane Rodrigues
SEXO DURANTE A MENSTRUAÇÃO NÃO ENGRAVIDA?
Não necessariamente. "O risco de engravidar no período menstrual existe, sim, caso o casal não faça uso de nenhum método preventivo", conta a ginecologista e obstetra Barbara Murayama. Algumas mulheres com o ciclo desregulado podem alcançar o pico do período fértil justamente durante a menstruação. É raro, mas não é impossível 
A MULHER QUE TEM ATIVIDADE SEXUAL FREQUENTE PERDE ELASTICIDADE?
De jeito nenhum, pois a vagina é formada por uma musculatura flexível. No entanto, com a idade, por conta da menopausa, a diminuição da produção de hormônios no organismo a torna um pouco menos elástica", de acordo com a ginecologista Rosane Rodrigues

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Médico da Floresta (Pe. Paolino)

Há mais de 60 anos, depois de dias de viagem, chegava ao Acre o Padre Paolino Baldassari, um missionário italiano. Diante de um cenário desolador, da solidão e da sua primeira malária ele quase desistiu de sua missão. Alguns dias depois, no entanto, sua presença começou a ganhar sentido. A evangelização ganhou vida e ele descobriu mais uma vocação: a de médico dos pobres. 
Depois de anos de assistência gratuita, ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Acre. Hoje, com mais de 80 anos, e depois de 82 malárias, além de todo trabalho de evangelização com a população ribeirinha, ele ainda atende cerca de 50 pessoas por dia.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"Gorgonzola" de Clarice Niskier

Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora.

E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”.

Não estou achando envelhecer esse horror todo.Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia.

O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre.


É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria.

O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada.

Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria.
Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados.
Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso.
Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola.
Clarice Niskier

sábado, 7 de dezembro de 2013

Última Viagem a Vegas


Estrelado por quatro atores vencedores do Oscar®, o filme apresenta Billy (Michael Douglas), Paddy (Robert De Niro), Archie (Morgan Freeman) e Sam (Kevin Kline), amigos desde a infância. Billy, o solteirão compromissado do grupo, finalmente pede em casamento sua (claro) namorada de trinta e poucos anos e os quatro vão a Las Vegas com planos de parar de agir como velhos e reviver seus dias de glória. No entanto, ao chegar, os quatro rapidamente percebem que as décadas tem transformado a Cidade do Pecado e testado suas amizades de várias formas que nunca imaginaram. O Rat Pack pode ter reinado no Sands e o Cirque du Soleil talvez agora comande a Strip, mas são esses quatro que agora mandam em Vegas.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Suécia abre o primeiro abrigo para gays da terceira idade

Casa já recebeu 40 pessoas e tem mais associados de 30 anos que estão na fila por uma vaga no futuro

No último dia 22 de Novembro, a Suécia deu mais uma mostra de que é um país humanitário. Ele abriraram a casa “Regnbågen” (Arco-Íris), uma casa de repouso e abrigo para homossexuais da terceira idade situada no bairro de Gärdet, em Estocolmo.
A “Regnbågen” é uma associação cooperativa para pessoas acima de 55 anos que oferece 27 apartamentos nos últimos três andares de um edifício da capital sueca.
Até o momento, 40 homens e mulheres já se mudaram para o local, mas ainda há uma fila de pessoas esperando por uma vaga, já que a associação possui 90 membros.
Segundo o site “The Local“, que divulga notícias da Suécia em inglês, o morador e vice-presidente da associação, Lars Mononen (foto), 64, conta o seguinte: “Alguns dos nossos membros são pessoas jovenas, na casa dos 30 anos, que estão planejando seu futuro entrando na fila agora.”
Mononen explicou que o Regnbågen é um lugar para os membros da comunidade LGBT se sentirem confortáveis em seus últimos anos de vida. “Não temos filhos, em geral, e frequentemente não somos próximos de nossas famílias. Quando você para de trabalhar, perde um pouco a interação social. O local te dá um pouco mais de sgurança social e faz com que você interaja mais na comunidade.”
Christer Fällman, presidente da “Regnbågen” que começou a batalhar pelo projeto em 2009, disse que a casa, que deverá atender primeiramente ao público LGBT, estará aberta a qualquer pessoa de qualquer orientação sexual.
“Não queremos que isso seja um retorno ao armário. Qualquer um será autorizado a viver lá. Será outra forma de integração”, disse Fällman, que pretende que o serviço se amplie pelo país todo. “Eu sei que estão querendo fazer algo similar em Gotemburgo”, ele disse.

sábado, 30 de novembro de 2013

GOSTO DE ENVELHECER

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo .... Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70, e se eu , ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido ... Eu vou.

Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.

Eles, também, vão envelhecer.

Eu sei que eu sou às vezes esquecido. Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.

Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado.

Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. Ela me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!

(autor desconhecido)

sábado, 23 de novembro de 2013

Dieta da Vovó

'Dieta da vovó' pode ser chave para alimentação saudável

Livro sugere que comer mais comidas caseiras e menos produtos industrializados é melhor do que qualquer regime da moda

Alimentação dos antigos: rica em nutrientes, pobre em substâncias artificiais
Alimentação dos antigos: rica em nutrientes, pobre em substâncias artificiais (Thinkstock)
Nada de regimes restritivos, sucos estranhos ou suplementos vitamínicos – para ter uma alimentação saudável e escapar dos males causados pelos alimentos industrializados, basta se espelhar na dieta que os nossos avós seguiam. Foi isso que a jornalista Marcia Kedouk descobriu durante suas pesquisas para escrever o livro Prato Sujo – Como a Indústria Manipula os Alimentos para Viciar Você (Editora Abril), lançado no último dia 8. 

Biblioteca

Prato Sujo - Como a Indústria Manipula os Alimentos para Viciar Você
Em 'Prato Sujo', é apresentado um panorama do nascimento da indústria alimentícia até a atualidade. O livro também oferece dicas como sobre como driblar as inúmeras tentações prejudiciais à saúde oferecidas pela indústria e manter uma alimentação saudável.


Autor: KEDOUK, MARCIA
Editora: ABRIL
Na obra, a autora explica o surgimento da indústria alimentícia no mundo e tenta descobrir como chegamos ao que ela descreve como a "pandemia da barriga cheia" – de acordo com o Global Burden of Disease de 2010, um estudo conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças relacionadas à obesidade já matam mais do que a desnutrição infantil.
Após cerca de um ano de entrevistas e coleta de dados, Marcia Kedouk chegou à conclusão de que a melhor estratégia para o combate à obesidade pode ser mais simples do que se imagina. "É uma volta ao passado. Temos de comer mais comidas que nossos avós comiam, e menos alimentos industrializados", diz. 
Embora o interesse por temas ligados ao bem-estar seja crescente, as pessoas não estão aprendendo a se alimentar melhor. "Há um mito de que comer de forma saudável custa muito caro e só pode ser feito por meio de alimentos orgânicos ou produtos light", afirma.
Dieta da vovó — Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Albert Einstein, também defende o que ele chama de "dieta da vovó" como chave para uma vida mais saudável. O menu dos antigos não incluía as inúmeras substâncias artificiais e prejudiciais à saúde que fazem parte das comidas industrializadas da atualidade. "Consumir o máximo possível de alimentos caseiros elimina a necessidade de qualquer tipo de suplementação", diz Cukier. 
O nutrólogo explica que combinar os alimentos corretamente também é importante. A mistura do clássico arroz com feijão, por exemplo, cria uma poderosa proteína que não existe se a dupla for ingerida separadamente. "Infelizmente, a dupla está sendo gradativamente substituída por modismos", afirma.
Fonte: veja.abril.com.br  

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tomie Ohtake fez 100 anos

Japonesa radicada no Brasil desde 1936, pintora abstracionista Tomie Ohtake completa 100 anos ainda em atividade

Tomie Ohtake completou 100 anos ontem. Mais da metade do seu tempo de vida foi dedicada à pintura, atividade que só começou depois de ver os filhos formados.

Mãe dos conhecidos arquitetos Ruy e Ricardo Ohtake, ela passou igualmente pela experiência de organizar o espaço para depois desconstruir a forma e se tornar um dos principais nomes do abstracionismo informal.

Para comemorar a data, o instituto que leva seu nome, em São Paulo, inaugurou uma grande retrospectiva com mais de 60 trabalhos – desde as paisagens que marcaram o começo de sua carreira até as mais recentes pinturas, obras de grandes dimensões que expandem o território da tela e já não dependem de uma forma para existir, elegendo a cor como sinônimo de conteúdo.

O Museu de Arte do Rio também abriu terça-feira outra mostra em homenagem à artista. Nela estão algumas raras telas chamadas pinturas cegas, produzidas entre 1959 e 1962. Como o nome indica, essa pequena série foi feita com os olhos vendados. Foi um rito de passagem da pintora, então ligada à construção geométrica, para o território informal. Tomie já pintava havia sete anos quando começou essas obras, tendo como primeiro incentivador o pintor japonês Keisuke Sugano, que em 1952 estava no Brasil para uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Nascida em Kyoto, Tomie desembarcou no Brasil em 1936. Veio visitar um irmão e, devido à guerra entre Japão e China, acabou ficando. Nos anos 1960, com a ascensão do movimento concreto, conheceu artistas como Hércules Barsotti e Willys de Castro. Seu contato com a linguagem abstrata foi decisivo. A figuração ficou para trás e ela passou a produzir o que convencionalmente se chama de geometria sensível ou lírica – por incorporar a emoção no processo construtivo. São dessa época suas melhores pinturas, como se pode ver na mostra retrospectiva do Instituto Tomie Ohtake.

A exposição chama-se Gesto e Razão Geométrica também porque a associação de Tomie com a geometria sensível praticada na América Latina não impediu que conservasse o vínculo com a cultura oriental, em particular com o gesto expressionista zen e, especificamente, com o círculo perfeito perseguido pela pintura zen budista – o enso, que simboliza o círculo, a iluminação espiritual, aparece de forma explícita nas telas dos últimos anos.

Embora não seja religiosa, ela fez da pintura seu tabernáculo. Um santuário em que há lugar para o culto de Rothko e Patrick Heron, dois pintores ocidentais que marcaram a trajetória da artista homenageada em seu centenário com 15 mostras no país. Em Gesto e Razão Geométrica estão os arcos pintados nos anos 1970, as formas tubulares dos anos 1980, as texturas dos anos 1990 e, finalmente, os círculos imperfeitos que predominam nos trabalhos mais recentes. O mundo não perde por esperar pelo próximo gesto de Tomie.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Espetáculo Velhos Amigos

Espetáculo Velhos Amigos
Espetáculo Velhos Amigos
Dia 14 de novembro, estreiou o espetáculo Velhos Amigos, projeto do Grupo Bolinho contemplado pela lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. A peça integra o projeto Tipografias Poéticas, desenvolvido ao longo de um ano, em três etapas, com metodologias distintas, cada qual em um bairro da cidade: Santana, Luz e Centro.
CONCEPÇÃO DO ESPETÁCULO
A montagem foi pensada de forma a convidar o publico para uma experiência. Uma rádio, instalada em uma praça, aliada à prática do footing (método de paquera antiga ao redor de praças – meninos caminhavam para um lado e meninas andavam no sentido oposto, com a intenção de trocar olhares quando se cruzassem), o público acompanha os personagens por “estações” montadas na praça, como se fossem cômodos de uma casa – uma sala, cozinha, banheiro. Nesses espaços de convivência com os espectadores, são trazidas à tona questões como o abandono, as dificuldades físicas, a saudade de outrora e os prazeres relacionados a liberdade da velhice.
Espetáculo Velhos Amigos
Espetáculo Velhos Amigos
PERSONAGENSPara contar essas histórias, três atores – Alexandre Ilha, Danilo Caputo e Diane Boda – entraram em casas, sentaram nas mesas das cozinhas, partilharam café e bolos com os entrevistados, tudo para captar o que havia restado como memória de uma vida quase completa. Em uma dessas “visitas” encontraram Geraldo (nome fictício, do personagem), viúvo, que aos 78 anos lembra-se da palmatória recebida no colégio interno, da floricultura que abriu e faliu, dos anos de casamento com a sua Elvira.
Celina Rosa (nome fictício, do personagem) encerra em si várias outras mulheres. A personagem, aos 76 anos, fez magistério, mas o marido nunca deixou que trabalhasse. A recente viuvez trouxe para Celina uma espécie de liberdade que não gozou durante a vida. Agora, as memórias de seu casamento aparecem em meio às ruínas de uma cozinha na qual recebe o público, se desvencilhando delas para seguir suas próprias vontades.
Espetáculo Velhos Amigos
Espetáculo Velhos Amigos
O personagem José William Facó tem Alzheimer, o que não o impede de ser mulherengo e tocar saxofone. Por causa da doença, mistura realidade e ficção. Casou-se com Rita, grande amor de sua vida. Com 20 anos a mais do que sua esposa, William sofre com as dificuldades sexuais, econômicas e mentais que a idade trouxe, se tornando um peso para sua amada. Rita não aguenta e divorcia-se de Facó, que hoje, aos 85 anos se ressente com a falta de uma companheira que lhe dê carinho, atenção e cuidados.
SERVIÇO
Espetáculo Velhos Amigos
14 de novembro até 21 de dezembro de 2013
Volta em 16 de janeiro de 2014, até 25 de janeiro de 2014
Não haverá apresentação no dia 23/11
Todas as quintas: Praça Cel. Fernando Prestes – Metro Tiradentes – Horário: 17h
Todas as sextas: Largo da Misericórdia – Metro Sé – Horário: 17h
Todos os sábados: Parque Domingos Luis – Metro Jardim São Paulo – Horário: 17h
Recomendação: Livre/ Duração: 60 minutos